Casanova Variations Reviews

  • Apr 22, 2017

    Mesmo vendo diferenças entre eles, difícil não lembrar do que Camus escreveu sobre Don Juan. Eu só fico aqui pensando o seguinte: não basta ter consciência de que vivemos uma vida absurda, não basta abrir mão da esperança... Daí resulta a necessidade de trocar a qualidade pela quantidade? Que sina. :) Verdade, o oposto também não é fácil: insistir na qualidade, mesmo tendo consciência do absurdo da vida e recusando a esperança. Uma cena chama a atenção: em determinado momento, Casanova pede que Elisa olhe para ele diga o que vê. É a mesma cena do último livro do David Grossmann, em que um homem emocionalmente exausto convida um amigo com quem não se encontra há muito tempo para um stand-up seu e lhe pede que assista a tudo e "diga o que vê". É o que queremos que o analista faça, por exemplo. Olhe para mim e diga logo quem eu sou. Claro que ele não faz. No filme, Elisa também não responde. No livro do Grossmann? Foi um que deixei pelo caminho, mas vou retomar em breve. :)

    Mesmo vendo diferenças entre eles, difícil não lembrar do que Camus escreveu sobre Don Juan. Eu só fico aqui pensando o seguinte: não basta ter consciência de que vivemos uma vida absurda, não basta abrir mão da esperança... Daí resulta a necessidade de trocar a qualidade pela quantidade? Que sina. :) Verdade, o oposto também não é fácil: insistir na qualidade, mesmo tendo consciência do absurdo da vida e recusando a esperança. Uma cena chama a atenção: em determinado momento, Casanova pede que Elisa olhe para ele diga o que vê. É a mesma cena do último livro do David Grossmann, em que um homem emocionalmente exausto convida um amigo com quem não se encontra há muito tempo para um stand-up seu e lhe pede que assista a tudo e "diga o que vê". É o que queremos que o analista faça, por exemplo. Olhe para mim e diga logo quem eu sou. Claro que ele não faz. No filme, Elisa também não responde. No livro do Grossmann? Foi um que deixei pelo caminho, mas vou retomar em breve. :)